Pousada em Fernando de Noronha - Teju-açu

O Atol das Rocas, o único atol do Atlântico Sul, é um dos lugares mais isolados do planeta. A reserva biológica fica a mais de 250 quilômetros da costa do Rio Grande do Norte. Apenas pessoas autorizadas pelo ICMBio, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, podem visitar o local.

O Atol das Rocas conta até com uma “xerife” que praticamente acabou com a pesca predatória na área de preservação.

"A gente conseguiu minimizar em pelo menos 90% a questão do impacto da pesca ilegal. Você tem que viver em estado de alerta, senão as infrações voltam a acontecer”, afirma Maurizélia De Brito, chefe da Reserva Biológica Atol das Rocas.

Os paredões do atol sofrem com a erosão provocada pelos choques constantes com o mar. Já a parte interna é bem mais protegida e cresce com o acúmulo de sedimentos. A área total do Atol das Rocas tem cerca de 5 km² e está aumentando.

“Na década de 1940, a ilha tinha formato completamente diferente e era quatro vezes menor que hoje”, diz a oceanógrafa Mirella Costa.

É no atol que fica a Ilha do Cemitério. Antes da construção de um farol, era comum acontecerem naufrágios na região do Atol das Rocas, e os mortos eram enterrados no local. Atualmente, ilha se transformou em um berçário de aves e abriga a maior colônia reprodutiva de trinta-réis do Atlântico Sul.

É nas águas cristalinas do Atol das Rocas que uma câmera submarina fez descobertas surpreendentes. O equipamento, que vai a mais de 100 metros de profundidade, foi desenvolvido pelos pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco. Com as imagens e a ajuda de satélites, eles estão estudando os corais mesofóticos, que são aqueles que vivem abaixo dos 50 metros de profundidade. A câmera também descobriu uma grande quantidade de ouriços diadema, que estavam desaparecidos da costa brasileira.

Arquipélago de Fernando de Noronha

O Globo Repórter também mostra as belezas de Fernando de Noronha. O arquipélago tem 21 ilhas, mas apenas uma é habitada por seres humanos. Com autorização do ICMB, o programa foi até essas ilhas pouco conhecidas, onde os turistas não têm permissão para entrar.

Uma delas é a Ilha do Meio, que passou por uma operação de guerra para se livrar dos ratos.

“Tinha uma das maiores densidades de ratos por metro quadrado do mundo, tinha mais ou menos 590 ratos por hectare. Esses ratos se alimentavam tanto de filhotes quanto das próprias aves que estavam mais debilitadas”, conta Ricardo Araújo, analista ambiental do ICMBio.

Biólogos estão estudando o branqueamento dos recifes de corais em Fernando de Noronha. Os cardumes que voltam a cercar os corais da região são um sinal positivo de recuperação.

"Tivemos eventos fortes de branqueamento e com um intervalo cada vez menor. Essa foi a década mais quente na história desde que se começou a medir a temperatura dos oceanos e isso é muito preocupante”, afirma a bióloga Beatrice Padovani.

Biólogos estão estudando o branqueamento dos recifes de corais em Fernando de Noronha 

O arquipélago enfrenta outra ameaça: o peixe-leão. O animal desfia o equilíbrio da vida marinha em Fernando de Noronha. Ele é originário das áreas de recife dos oceanos Índico e Pacífico, mas nas últimas décadas começou uma lenta invasão no Atlântico, onde encontra poucos predadores. Os espinhos que ele tem no corpo são extremamente venenosos.

“O sucesso reprodutivo dele é muito grande”, afirma o biólogo Paulo Bertuol.

Fonte: G1-Globo Repórter